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terça-feira, 23 de outubro de 2007

Guerreira


Por vezes sinto-me guerreira, sinto que posso tudo, sinto que nada me vai deter, posso voar, ser anjo, ser deusa, tenho o mundo a meus pés e a coragem para seguir em frente contra tudo e contra todos.
Outras vezes, sou fraca, sinto que o mundo conspira contra mim, é a incertesa das incertesas, é um mar de angústia e dúvidas que me quebra e me desarma.

Isto leva-me a pensar, Qual o sentido das coisas? O que será que está certo? Será que vale a pena continuar?

O Amor é lindo e fortalece-nos, mas tem horas em que se assemelha a um mar, algo belo e caprichoso, algo que adoramos, mas que desde pequenos somos ensinados a respeitar. É uma entidade que tudo pode e que já defeniu o destino, de gente humilde, mas também de bravos e nobres exploradores. É algo que já foi desbravado, em tempos de descobertas, motivo de glórias e de derrotas, algo que na sua grandesa tem a capacidade de nos trazer a felicidade, e ao mesmo tempo de nos ceifar o destino com toda a sua imponência.

O Amor é assim:
Numa hora somos reis, noutra somos escravos.
Numa hora somos deuses, noutra somos crentes.

A vida, essa é assim, cheia de altos e baixos, por vezes condicionada pelo amor que nos move


(Xena)

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Imagino


Neste exacto momento
em que escrevo estas palavras,
é teu o meu pensamento,
embora tu não o saibas,
em que, num sorriso, recordo
o toque da tua pele
e imagino nos teus lábios
o mais puro e doce mel.

E imagino segredos
e histórias por revelar;
e com a ponta dos meus dedos
anseio em te tocar;
e num tom de voz baixinho
ao teu ouvido sussurrar,
enquanto te faço um carinho,
enquanto leio o teu olhar.

E, logo depois, lentamente
pegar na tua mão;
sentir nela, o teu corpo quente,
sentires nela o meu coração.

E depois suave e doce
afagar o teu cabelo,
como se um poema fosse,
como se pudesse eu escrevê-lo.

Imagino finalmente,
ou talvez seja um desejo,
abraçar-te ternamente,
enquanto provo o teu beijo.

(Xena)

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Recordo-te


Homem bravo, lider, soldado da paz, cheio de vida e de luz.
Enchias tudo por onde passavas com a tua constante vontade de brincar, com o teu sorriso.
Eu na minha inocência de criança veneráva-te, orgulhava-me de ti (ainda me orgulho).

Mais tarde veio a doença, que te prendeu os movimentos, fez de ti um homem frágil, de olhar perdido no vazio, aí eu já não era tão criança, a inocência já havia sido quebrada. Mas continuavas a ser o meu orgulho, sempre foste.

Todos viam como a doença te envelheceu, mas eu continuava a olhar para ti como um astro, altivo e luminoso, sim porque mesmo muito doente, mesmo de olhar triste perdido no vazio, tu marcavas a tua presença.

Aí de alguma das tuas meninas que entrasse em casa sem te comprimentar, era como um ritual, custou a desabituar quando partiste.

Demonstravas o teu carinho por nós de uma forma singular, assim como cada uma no seu lugar, não é que gostasses menos de alguma! Mas sim que a forma de o demonstrares era diferente, de tal forma que todas ficamos com pedacinhos teus, só nossos.

A Rita na tua doença foi o ai jesus, a tua maior preocupação, aquela a quem só conseguiste ver o rosto uma vez, num contraste entre luz e sombra que ajudou os teus olhos cansados e doentes.

Avô hoje é aniversário do teu nascimento, e embora à 10 anos não seja motivo de comemoração, é um dia sempre recordado com muito carinho, saudade e emoção, porque tu continuas aqui bem presente nos nossos corações.
(Xena)

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Saudade


- Bom dia Pai, como estás? Não respondes pai?
Faz neste instante cinco anos, que perante a mais crua e fria das realidades, foram as unicas palavras que consegui pronunciar.

Não gritei, nem chorei, apenas fiquei incrédula e queria a todo o custo uma resposta tua.

Insisti novamente.
- Pai por favor responde?
Mas cheguei tarde demais para obter qualquer resposta... O tempo já te tinha esfriado, os teus lábios não tinham cor, os teus olhos haviam perdido a expressão.

Mas porquê, meu deus? Porque teve que ser assim?

Naquele instante não gritei, mas hoje sinto um grito preso no meu peito, um grito de revolta.
Será que o meu destino era mesmo ser a ultima pessoa a fumar um cigarro na tua companhia?

Num dia em que não era previsto ir à tua casa, eu fui foi como se o destino me tivesse empurrado a ir lá. Para no fim do nosso cigarro, quando eu me preparava para ir embora, tu me pedires um abraço, foi um longo e terno abraço que sempre que me lembro é como se o sentisse outra vez, o nosso ultimo abraço, o ultimo beijo que te dei quando a tua face ainda era rubra, os teus lábios tinham cor, o teu olhar acusava uma alegria contagiante, como se estivesses a nascer de novo.

E era pai, era o teu renascer e o renascer de um relação cansada de desentendimentos que tivemos toda a vida.

Porque perdemos tantas horas com discussões, sem fundamento? Porque nos afastámos semanas a fio, apenas por orgulho? quando por vezes eu apenas queria dizer que tu eras o meu heroi, o meu idolo.

Porque me culpavas tu dos teus erros, quando eu te amava tanto.

Agora é tarde, tarde demais, mas eu sei que estejas onde estiveres, serás sempre o meu heroi.

Nunca vi a tua lápide, porque me angustia pensar que estás debaixo dela, mas a maior homenagem que te presto, é lembrar-te todos os dias da minha vida, tal e qual como se continuasses aqui.
(Xena)

terça-feira, 29 de maio de 2007

O velho moinho de vento


Aí estás tu
Velho moinho
Testemunha silenciosa e esquecida,
De tempos que já não voltam,
Passando despercebido
Aos olhares distraídos,
De quem todos os dias
Passa por ti indiferente

Conta-me velho moinho:
Quantas bocas a tua farinha alimentou?
Quantas vezes serviste
De inspiração para juras de amor eterno?
Quantos poetas escreveram
Na tua sombra?

Conta-me velho moinho:
Quanto tempo mais
Irás resistir ao despreso,
Daqueles que podia fazer algo,
Algo que mantivesse acesa
As memórias de outros tempos

Tempos em que ao sabor do vento
As tuas pás giravam,
Numa alegria de quem é importante,
Numa alegria de quem faz parte
De toda uma história,
Da minha bela cidade.
(Xena)

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Renascer



Ontem era anjo
De asa caída,
Eu queria voar
Mas sentia-me perdida.

Hoje sou pássaro,
Vejo-me a voar,
Pois sinto-me livre
Na imensidão do teu olhar.

Ontem era criança
Que vivia na escuridão,
Mulher mal amada
Que vivia na solidão.

Hoje sou deusa,
Sou musa inspiradora,
De um sentimento nobre
Que não conheci outrora.

Renasço em ti,
Como princesa enamorada,
Por experimentar a sensação
De saber que sou amada.

(Xena)

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Encruzilhada


Tenho vaguedado perdida
Por uma estrada de solidão
Como uma deusa esquecida
Que perdeu o coração

Ao avistar uma pequena luz
Vi-me livre do meu tormento
Mas do passado voltaste
E lembraste o meu sofrimento

Hoje estou perdida
No meio da encruzilhada
Espero que um anjo me indique
Qual será a melhor estrada

Tanto que sonhei um sinal teu,
Mas porque decidiste voltar agora
Neste momento em que encontrei a luz
Que levará a solidão embora.
(Xena)

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Raio de Sol


Tenho diavagado distraida,
Em pensamentos,
sobre uma estrela perdida
Iludida no fundo de um vale
Pensei ver o sol

Mas eu estava a ver mal,
Eu estava encantada
Por uma luz artificial.

Com o nascer do novo dia,
O vale clareou,
E veio um raio de sol
Que a bela luz ofuscou.

Agora vejo com clareza,
Quanto de ingénua eu fui,
Por me ter encantado,
Por uma luz de tão fraca beleza.


(Xena)

quinta-feira, 26 de abril de 2007

A Estrela


Do alto do meu castelo de sonhos
Vislumbro a mais bela estrela,
Ela é linda e brilhante,
Ela ofusca-me com a sua luz,
Adoro-a simplesmente porque a adoro
Não vejo a sua essencia,
É que a sua luz não me permite.

Num salto tento agarrá-la,
Mas está alto de mais
Choro então em silêncio
A vontade de a ter,
De pega-la na palma da minha mão
E poder dizer-lhe que a adoro.

Mas ela é linda lá no ceu,
Lá onde eu não a consigo alcançar,
Lá onde apenas os meus sonhos me levam

(Xena)

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Na Ponta da Lua

Aqui...

Sentada

Na ponta da lua

Viajo no tempo

Que ainda não vivi...

Desejos que me assaltam

De uma vida

Que me sorri...

As estrelas

São testemunha

Dos sonhos que me embalam

A brisa...

Afaga-me o rosto

Num momento de magia...

Tantas vezes imaginado

Num cenário de ternura

Quando me sento
Aqui...

Na ponta da lua

(Xena)

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Para quê complicar?


Não precisas de presentes
Nem rimas, nem flores, nem nada
Basta trazeres o que sentes
E chegares de madrugada

Perde as mãos pelo meu corpo
Faz-me calar com um beijo
Como se eu fosse o teu porto
E tu meu mar de desejo

Deixa falar a paixão
Não faças juras de amor
É só carinho e tesão
Suor, gemidos, calor
Enrosca-te no meu seio
Os corações a bater
Sem confusão, sem rodeio
Mais simples não pode ser.

(Xena)

quinta-feira, 29 de março de 2007

Noite


Deito-me!
O corpo cansado
Procura o carinho
Deseja o afago.

Fecho os olhos
Imagino-te!
Nesse momento
Quero-te!
A mim entrelaçado
Teu corpo no meu
(juntinhos, colados).

Desejo-te!
No encanto do beijo
Na ternura do abraço
Unidos
Corpos e almas
Num só querer
O amor e o prazer.

Na visão da tua imagem
Cansada adormeço
No calor deste leito
Em que me deito.
(Xena)